Terapia
O caminhar terapêutico é um contínuo encontro consigo. Às vezes é passeio leve, outras, travessia árdua em uma trilha com sombras e clareiras – mas sempre em companhia. Ao longo da jornada emergem tesouros e monstros, lágrimas e sorrisos. A cada passo, o Eu renuncia à ilusão de soberania e aprende a reconhecer a vida múltipla que o habita. Já não é regente de uma cela fechada, mas parte de uma vida psíquica compartilhada. Afastar-se desse caminho é um adoecer. É, sem perceber, viver como um outro, sob o olhar de um juiz com leis emprestadas e contraditórias. No trabalho de diferenciar e integrar, o que somos se revela, aos poucos. O que estava estancado volta a fluir. E a criança que fomos, ainda viva em nós, encontra o espaço para contar dos seus medos e sonhos.

Afastar-se desse caminho é um adoecer. É, sem perceber, viver como um outro, sob o olhar de um juiz com leis emprestadas e contraditórias.
No trabalho de diferenciar e integrar, o que somos se revela, aos poucos. O que estava estancado volta a fluir. E a criança que fomos, ainda viva em nós, encontra o espaço para contar dos seus medos e sonhos.
Certa vez sonhei que era rio. Que em mim corriam as pedras e os peixes. Que corriam de mim as margens e que meus pés eram o oceano inteiro.
Minhas costas deitavam no colo suave das montanhas antigas que, generosas, dobravam-se para que eu pudesse ser. Pequenos barcos, em mim navegavam, subindo e descendo histórias tristes. Um dia, a chuva parou e não voltou mais. De mim, ficou só o vazio, e em mim, os passos cansados, cada vez menos passos e cada vez mais cansados.
Tudo que eu era deixou de ser, menos a história que as montanhas contavam em suas rugas.


